
A história do Programa de Pós-graduação em Literatura Brasileira do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas foi marcada pelas trajetórias acadêmicas de José Aderaldo Castello (1921-2011) e Alfredo Bosi (1936-2021). Os dois professores eméritos da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP publicaram, entre livros, ensaios e edições de textos, obras relevantes para a historiografia da literatura brasileira: a História concisa da literatura brasileira (1970), de Alfredo Bosi, e A Literatura Brasileira: origens e unidade (1500-1960) (1999), de José Aderaldo Castello. Castello e Bosi orientaram mestres e doutores que consolidaram o Programa de Pós-graduação em Literatura Brasileira, o qual, desde a sua criação em 1971, atua como um centro de referência em termos teóricos, metodológicos e pedagógicos no âmbito dos estudos literários. O Programa promove a convergência do trabalho crítico, que envolve análise e interpretação de textos literários, com a pesquisa histórica em torno da constituição de um sistema literário no Brasil a partir do século XIX e do estatuto da produção letrada anterior à independência política do país.
A história do Programa de Pós-graduação em Literatura Brasileira remonta a 1942, quando foi criada a cadeira de Literatura Brasileira a partir da separação da antiga cadeira de Literatura Portuguesa e Literatura Brasileira. O primeiro titular de Literatura Brasileira foi o professor Mário Pereira de Souza Lima, que obteve a cátedra em concurso realizado em 1945. Cinco anos depois, José Aderaldo Castello, assistente da cadeira de Literatura Brasileira, defendeu a tese A introdução do romantismo no Brasil sob a orientação de Mário Pereira de Souza Lima. Castello também foi diretor do Instituto de Estudos Brasileiros da USP (IEB), cargo que ocupou entre 1966 e 1981, o que revela a proximidade da área de Literatura Brasileira com o Instituto criado por Sérgio Buarque de Holanda em 1962, já em sua origem. Entre os professores orientados por Castello encontra-se José Carlos Garbuglio, que em sua atuação no Programa de Pós-graduação em Literatura Brasileira foi orientador de João Adolfo Hansen e Valentim Aparecido Facioli, que também se tornaram docentes do Programa.
Em 1971, Alfredo Bosi, que se dedicara à cadeira de Literatura Italiana, passou a lecionar Literatura Brasileira no Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas, a convite de Castello. No Programa de Pós-graduação em Literatura Brasileira, Bosi orientou quatro professores que atuaram no Programa durante as décadas seguintes: Antônio Dimas, Zenir Campos Reis, Alcides Villaça e José Antônio Pasta Júnior. A esse grupo de professores juntaram-se Luiz Roncari e João Roberto Faria, ambos orientados no doutorado por Antônio Dimas. João Roberto Faria foi orientado no mestrado por Décio de Almeida Prado, que colaborou com o Programa de Literatura Brasileira especialmente nos estudos sobre o teatro no Brasil. Outro colaborador da mesma geração próximo ao Programa, inclusive pela referência fundamental de seus estudos, foi Antonio Candido, que no Programa de Pós-graduação em Teoria Literária e Literatura Comparada orientou três professores que ingressaram no Programa de Literatura Brasileira: Therezinha Apparecida Porto Ancona Lopez, Roberto de Oliveira Brandão e José Miguel Wisnik. Também titulados em outros programas de pós-graduação em Letras da USP que se tornaram professores da área de Literatura Brasileira foram Flavio Aguiar, orientado por Walnice Nogueira Galvão, e Nádia Batella Gotlib, orientada por Maria Aparecida Santilli.
Os professores mencionados não somente produziram trabalhos que se tornaram referência para os estudos de literatura brasileira, como orientaram alguns dos professores atuais do Programa de Pós-graduação em Literatura Brasileira e professores de programas de pós-graduação em várias universidades brasileiras, fomentando novos núcleos de pesquisa na área, e até mesmo no exterior.
O fato do Programa ser dedicado exclusivamente ao estudo da Literatura Brasileira – cabe destacar que se trata do único programa especificamente de “literatura brasileira” em todo o país – propicia um olhar e uma posição específica dentro do campo acadêmico nacional. Aliada à proficiência na leitura de textos literários e críticos situa-se outra característica do Programa: sua vocação à interdisciplinaridade. Desse modo, o apuro crítico está constantemente em diálogo com uma reflexão renovada sobre as relações formais, históricas e culturais da literatura com as demais artes – teatro, música e cinema, por exemplo –, assim como com outras áreas do conhecimento como a história, a psicanálise, a filosofia e a sociologia.
O Programa trabalha com quatro linhas de pesquisa: “A poesia no Brasil”, “A prosa no Brasil”, “Historiografia e crítica literárias” e “Literatura, as demais artes e outras áreas do conhecimento”. Tais linhas circunscrevem, desenvolvem e promovem o conhecimento produzido no PPG, desdobrando-se em projetos e grupos de pesquisa (de docentes e alunos, da graduação à pós-graduação), cujos resultados são disponibilizados por meio da oferta de disciplinas (de caráter ora panorâmico, ora específico), bem como de eventos e publicações. Nessa direção, o programa publica as revistas Teresa, organizada pelos professores, e Opiniães, organizada pelos discentes, iniciadas respectivamente em 2000 e 2010, e também desde 2015 promove anualmente o Seminário do Programa da Pós-Graduação em Literatura Brasileira, o SPPGLB.
O objetivo principal do Programa é manter-se como um centro de formação de pesquisadores, mestres e doutores em literatura brasileira, dedicados principalmente ao ensino superior e ao exercício da pesquisa, mas também aptos a estabelecer pontes com a educação básica e preparados para atuar em diversos setores da vida literária e cultural nacional.
Texto de autoria do Prof. Dr. André Luis Rodrigues e Prof. Dr. Ricardo Souza de Carvalho